terça-feira, maio 16, 2006

Bom, eu já andei à cabeçada ao computador a tentar perceber o porquê do post anterior não conseguir ser editado como deve ser, por isso peço desculpa pelo tamanho da letra! Espero que seja legivel! Para esta semana temos o seguinte pensamento:

Certa vez, quando o Mestre estava perto de um riacho, comentou: "Se ao menos pudéssemos ser assim, seguindo o Bem sem parar, dia e noite!"
Confúcio

Sábio este "tal de Confúcio" não é? Entretanto a promessa de ir selecionando pequenos excertos do meu livrinho não é para ser quebrada, portanto, aqui vai:

O budo e os bujutsu

No Japão, a seiva súbtil do budo nunca deixou de nutrir as artes marciais. Por certo temerosos do contacto do Ocidente e do choque do mundo moderno, os mestres japoneses do início do século fizeram por evidenciar a função essencial da via (do), mudando os antigos nomes dos bujutsu, como o jiu jutsu, aiki jutsu, ken jutsu, para judo, aikido, kendo, etc. Pretendiam deste modo, por certo, que o grande público não confundisse as artes marciais com meros desportos de combate e que o sentido da via não desaparecesse nos meandros da História.
O aperfeicoamento técnico prosseguido desde os tempos mais remotos pelos mestres japoneses, que souberam integrar os conhecimentos dos seus homólogos chineses, assentou sempre sobre os principios de complementaridade que regem o universo. A articulação entre as forças activas (yang) e as passivas (yin) é levada à prática com uma precisão extraordinária nos movimentos de ataque e de defesa, de maneira a neutralizar o adversário com o minimo de esforço e o máximo de eficácia. Dai resulta, quase espontaneamente, uma espantosa harmonia dos gestos.
Sao sobretudo os kata que consubstanciam o sopro do budo. Os kata (formas, matrizes) são conexões de movimentos pre-determinados. Numa primeira abordagem, servem para assimilar as técnicas, para ensinar como estas se devem utilizar na perspectiva do combate. Atribuem-se-lhes também efeitos benéficos na coordenação física e respiratória, no sentido do ritmo e na concentração, assim como na saúde, quando sao praticados correctamente. Os mestres serviram-se deles para divulgar os seus conhecimentos. Transmissores de técnicas, de tácticas de combate, com certeza, mas também de um simbolismo espiritual, os kata são emissários de uma mensagem codificada a vários niveis e só revelam os seus segredos após muitos anos de prática intensiva, melhos dizendo, nos últimos anos de uma vida. A origem dos kata da actualidade é remota, e os mestres, guerreiros ou monges, que os criaram, fizeram-no a fim de servirem de testamento para os seus discípulos e para as gerações futuras, na esperança de que a fórmula não fosse extirpada do coração, do centro fulcral, de que os bujutsu continuassem a servir a via.

Titulo Original: Les Contes des Arts Martiaux, copyright Editions Albin Michel SA. 1998

in
Os Contos das Artes Marciais, direitos exclusivos reservados para Portugal por DIFUSÃO CULTURAL


Achei que após uma aula de kata saberia bem ler o porquê de praticarmos com frequência, e também para aqueles que acham que kata é uma seca (sim, há disso, infelizmente) entenderem o que é kata. Se Osaka sensei diz "kata muito dificil" por alguma razão é.

Boa semana!

1 comentário:

Usagi-san disse...

"Um olhar aos katas de kendo, particularmente do primeiro ao terceiro, oferece algumas pistas acerca de qual é o verdadeiro objectivo do kendo."
in
Kendo Kata, essência e aplicação.
de
Inoue Yoshihiko, 8º dan hanshi.